Fim do mês e muitas/os se perguntarão: para onde foi o dinheiro?
Confesso que é um dos exercícios mais assustadores para quem vive com poucos rendimentos: contabilizar as despesas e ver onde vai/foi o dinheiro. Pelo menos, para mim, é bastante assustador.
Quando me perguntam onde começar, eu sempre sugiro que façam um apanhar das despesas fixas ou mais ou menos fixas: a renda, a TV paga, a média mensal de luz, o condomínio, a média mensal do seguro do carro e da gasolina...
Sim, é assustador ver os valores amontoarem-se. Mas eles não irão desaparecer porque não foram contabilizados. Coloca-los numa folha ou ficheiro também é passível de vos dar uma visão imediata de onde poderiam cortar: TV paga? internet no telemóvel?
Eu havia criado um registo para inserir as minhas despesas pessoais de forma a calcular valores como vales de desconto e descontos em cartão. Mas quando desejava calcular todas as despesas, tinha tudo misturado e por isso passei a utilizar a Calculadora de despesas pessoais.
Um outro formato de registo, menos exaustivo, poderá ser o Orçamento familiar:
Finalmente, tentem resistir a pagar por programas ou aplicações de finanças pessoais. As ofertas gratuitas são inúmeras e em constante melhoria e no final do mês, será mais um valor que pouparam.
Certo dia recebo um comentário que concluia com: "ler este seu post faz-me sentir poupada mas "normal". Em diversas vezes vejo que há um sentimento de preocupação e/ou angústia por não conseguir atingir alguns valores de desconto ou poupança (porque são coisas diferentes).
Não façam comparações. Porque cada caso é um caso e porque nem sempre temos disponibilidade física ou até mental para "poupar".
Eu chamo-lhe uma das armadilhas da poupança: demasiadas expectativas que terminam em frustração por não reconhecer limites e aceitá-los. E o madito sentimento de culpa.
Não há nada de errado em escolherem comprar os iogurtes mais caros porque se querem poupar a mais uma ida a um outro supermercado, onde estão em promoção.
Não há nada de errado em decidir que, apesar de ser uma boa oportunidade para usar AQUELE vale de desconto, não vos apetece sair de casa.
Não há nada de errado em conceder que, em determinada semana, não vão planear nada, comparar nada e simplesmente descansar do constante esforço que é poupar.
Permitam-se um folga.
Eu compreendo esse sentimento. A culpa de não ter esprimido o último cêntimo daquela acumulação. Olhar para outras contas e pensar porque não estou a conseguir poupar mais?
Mas no final do dia, cada um/a de nós terá avaliar:
- está a fazer tudo o que poderia fazer?
- o que pouparia mais, justifica o esforço e tempo adicional?