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Diário das minhas finanças pessoais

Um diário sobre finanças pessoais, produtividade e a busca pela positividade

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Um diário sobre finanças pessoais, produtividade e a busca pela positividade

Emprego da m****

23.01.23

People aren't stupid or lazy or indisciplined because they choose things you wouldn't. They just have different priorities than you.

 

Há dias, referiram-se à posição profissional que deixei como um "emprego da m****".

 

As pessoas confundem valores monetários com valores que reflectem o grau de importância de uma pessoa.

Vemos isso todos os dias na sociedade, em que até o trato social reflecte patamares económicos. Pessoas modestamente vestidas são "tu" e pessoas mais ostentosamente vestidas são tratadas com muito maior deferimento. E pessoas que ganham mais, consideram-se melhores que os outros, ou não fossem os caros mal estacionados em lugares para pessoa com deficiência, quase todos do topo de gama (dados baseados em experiência pessoal).

 

Eu conheço o meu valor

O meu "baixo" salário reflectia uma situação de liberdade: trabalhava a meio tempo e com total liberdade para dar prioridade à minha mãe, se precisasse de passar um ou até mais meses em casa (como aconteceu).

Aliás, seis meses depois de começar, permitiram-me trabalhar a partir de casa, durante um mês. Foi quando o diagnóstico da minha mãe foi feito.

Se a minha mãe estava pior, simplesmente informava que não podia ir. Se precisasse de ir três dias por semana para a fisioterapia, simplesmente avisava que não estaria 3 dias por semana.

Eu conheço o meu valor. Neste momento, qualquer anúncio para a minha posição, tem um salário de entrada de 1600€ (quase o dobro do que auferia).

 

Eu era apreciada

Trabalhei com o melhor do melhor na minha área, não só a nível nacional como internacional. Pessoas intelectualmente estimulantes, o topo das respectivas áreas.

Sempre considerei que a minha posição - burocrata e bombeira de serviço - era eliminar todos os obstáculos e entraves para que elas/es pudessem brilhar nos seus projectos.

Eu era a facilitadora, aquela que garantia que o ambiente (físico e outro) fosse "invisível" para que se pudessem concentrar em criar.

Sempre que se tinham de preocupar com um formulário, um orçamento, uma cadeira a funcionar mal, eu estava a falhar(-lhes).

 

Saí contra a vontade da minha equipa, fizeram dois processos de contratação (para me substituir) e mesmo assim, tive de insistir, para escolhessem uma pessoa do último concurso.

 

Se achasse que tinha condições psicológicas para assumir o cargo remotamente, continuaria a trabalhar a partir de casa.

Mas tenho valores e seria desonesto e arriscadíssimo fazê-lo.

 

Num mundo alternativo, estaria/seria muito feliz no meu e"emprego da m****". Já teria feito o doutoramento e teria progredido na carreira.

 

Na verdade, não fiz mais do que as milhares/milhões de mulheres que interromperam a sua carreira profissional para responder a necessidades no âmbito familiar.

 

Na verdade, sem a "dramática" saída do mercado de trabalho, muitos mais milhões fazem-no diariamente: são elas que mais vão às reuniões de escola, às consultas de saúde, que faltam para cuidar na doença...

 

Os custos profissionais e económicos de ser mulher são evidentes, nas assimetrias da conciliação entre a vida profissional e familiar.

 

Uma triste realidade, lamentavelmente muito actual.