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Diário das minhas finanças pessoais

Isto é mesmo um diário, mas também um bloco de notas e talvez um caderno de ideias (umas melhores que outras)

Diário das minhas finanças pessoais

Isto é mesmo um diário, mas também um bloco de notas e talvez um caderno de ideias (umas melhores que outras)

O que descobri sobre mim no período de isolamento

20.05.20

Ao contrário do que fui lendo e ouvido ser as angústias e necessidades dos outros, descobri que sou muito mais introvertida do que pensava.  Eu não senti falta de qualquer tipo de actividade social ou convívio, sequer quando festejei os meus 45 anos (sozinha) no pico da pandemia.

 

Honestamente, quando se fala de retomar as actividades pré-covid, a única coisa que gostaria de voltar a ter, são as visitas às lojas solidárias para procurar livros.

 

Infelizmente, mantive todos os meus maus hábitos e não concluí nenhum dos meus grandes projectos que estavam na lista de "se um dia tiver tempo livre". Porque apesar de estar em teletrabalho, eu tive bastante tempo livre.

 

Mas o que também descobri é que não estou sozinha. Em telefonemas, a ler blogs ou até a assistir a festivais literários online, as queixas foram recorrentes: não consigo ler, não consigo escrever, não consigo motivar-me a sair do sofá ou do ecrã.

 

A verdade é que subestimamos a importância da rotina na nossa gestão de tempo. Acima de tudo, subestimamos o impacto da dor alheia na nossa saúde mental.

Mesmo dentro de porta, os dias foram sendo marcados pelas conferências de imprensa com os (assustadores) números da pandemia. Com sorte, esses números não tinham um nome.

 

Por tudo isso, tenho feito o possível para abafar a voz na minha cabeça que me diz que tinha de ter feito mais, sido mais produtiva, aproveitado melhor o tempo de lazer.

 

No meio de uma pandemia que ceifou a vida de 310 mil pessoas, é importante responsabilizarmo-nos pelas nossas decisões (sempre), mas acima de tudo devemos amarmo-nos o suficiente para não nos julgarmos neste momento extraordinário, para o qual não tínhamos ferramentas.

2 comentários

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    Descontos 22.05.2020

    Sobre as amizades, há que ponderar bem as nossas percepções e julgamentos, especialmente agora. São momentos difíceis e há pessoas que reagem de forma muito diferente.

    Uma das coisas que fiz, foi ir telefonando periodicamente, chegando mesmo a colocar o "telefonar a x" na minha lista de tarefas.

    Por exemplo, eu tenho uma amiga que sei que tenho de ligar várias vezes até que me atenda. Nunca me devolve as chamadas. Ela é assim, não é por ser má amiga, ela sempre foi assim e acresce que a vida dela é incrivelmente difícil, com uma criança com necessidades especiais com escola remota, quando ela mal sabe enviar um email. Ontem finalmente consegui falar com ela depois de semanas e fiquei a saber que tinha estado hospitalizada.
    Esse é um dos problemas. Ela não atende quando está pior, porque não quer contar o que se está a passar. E por isso insisto e insisto e insisto.


    Se não falamos com as pessoas, não sabemos como a vida delas está do outro lado. Se não formos tolerantes com as ausências e faltas de contacto, corremos o risco de perder uma amizade porque fomos orgulhosas e entramos no "se ela não me liga, também não lhe ligo a ela".

    Por isso, pegue no telefone e faça a ronda dos seus contactos. Perguntem como estão e realmente ouça.

    E acredite que lhe digo tudo isto, apesar de ser EXCELENTE a eliminar da minha vida as amizades tóxicas.

    Fique bem!
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