O sistema de envelopes foi o meu projecto preferido de 2014. Como nunca, tive a real percepção dos gastos, utilizei o dinheiro em bolso como controlo de impulsos e percebi melhor como organizar as minhas poupanças. Finalmente tornei-me uma investidora, fazendo o meu primeiro certificado de tesouro e o meu primeiro certificado de aforro.
Finalmente aprendi a fazer um verdadeiro e realista orçamento anual. Aprendi, corrigi os erros, aprendi com eles, voltei a errar e voltei a corrigir. E como um orçamento anual é algo que tem de se adaptar à nossa realidade do dia a dia (que é mutável), deixei de pensar nele como algo rígido.
Cometi um grande erro. Quando consegui adiantar o dinheiro para as rubricas dos envelopes completando o valor necessário para 2014, parei de os encher. Ora, isso foi um disparate porque agora entro a zero em 2015 (e não ainda calcular €12.00 mensais em saúde se em Janeiro tenho uma consulta que gasta €40.00). E é assim que se aprende ;)
Tinha cerca de €250 ainda nos envelopes, mas não é uma real poupança porque noutros gastei para além do orçamentado:
- €17.00 na rubrica "livros e material escolar" (apenas porque quem reprova não precisa de livros novos)
- €86.00 na rubrica "quotas" (apenas porque não fiz uma inscrição em 2014 e noutra associação ainda não cobraram o 2º semestre de 2014)
- €87.00 na rubrica "saúde" (porque não marquei duas consultas que deveria ter marcado...upsss)
- €64.00 na rubrica "electricidade" (ainda não veio a factura... decididamente não chegariam €64.00)
Ainda assim, reuni o dinheiro dos envelopes e com mais €20.00 já enchi os envelopes de Janeiro de 2015. Os mesmíssimos envelopes em papel, mas agora com uma folha para o balanço semanal.
Eu adoro listas, mas com muita frequência tendo a colocar tantos itens na lista que, inevitavelmente, acabam por não passar da lista para o concreto. Por isso, uma das coisa em que tenho tentado melhorar é no estabelecimento de objectivos realistas.
Algures li um conselho para quem já tivesse criado a sua lista de objectivos: reduzi-la para um terço. Não há porque nos condenarmos ao fracasso antes mesmo de começar.
Em qualidade
Criar objectivos irrealistas não é muito melhor. Há que distinguir entre sonhos e objectivos. Não quero com isso dizer que não possamos ou devemos sonhar e até tentar concretizar os nossos sonhos. Mas uma coisa é sonhar em viajar e outra completamente distinta é ter como objectivo uma viagem a um ou mais locais em concreto.
Em especificidade
Criar um objectivo vago, sem acções ou tarefas concretas é o correspondente a morrer na praia. Sempre foi assim que me senti. Criava um objectivo como: no ano X vou ler mais. E pronto... nada lhe seguia. Os objectivos, para serem bem sucedidos, têm de ter tarefas concretas, que dependam de nós e convêm que saibamos quais são.
E foi assim que, depois de anos a listar como objectivos o ler mais e ver menos televisão vazia (aquela que vemos por ver) e melhorar a minha higiene do sono (gostaram da expressão?), decidi que teria de seguir esses objectivos com uma acção em concreto e, no primeiro dia de 2014, retirei o televisor do quarto.
Quando se deseja assinalar a importância de um grande ano, é habitual dizer-se que "foi de intensas emoções". Para mim, 2013 ficará sempre como o ano da tranquilidade financeira, da recompensa pelo esforço de poupança.
Em 2013 paguei a última prestação do meu crédito pessoal e passei - oficialmente - a ser alguém sem dívidas.
Não ter dívida permitiu-me começar a pagar ao meu futuro eu. Chegar aqui não foi um caminho fácil, foi lutar com demónios pessoais, amadurecer para deixar de me preocupar com o que os outros pensam e dois anos a pensar onde e como poupar.
Existem muitas pessoas que fazem do ano novo o momento de partida para novas resoluções para 2014. Algo me diz que poupar está no topo da lista.
Deixo-vos com a minha sugestão para fazer o
POUPAR COMO RESOLUÇÃO PARA 2014
POUPAR PASSO A PASSO
Primeiro passo: esqueça 2014 e concentre-se na 1ª semana de Janeiro de 2014. É facto que as "resoluções" anuais, não costumam durar. Por isso:
Na 1ª semana de 2014:
- anote tudo em que gastou dinheiro (esconda um papelinho no porta moedas), do café à renda/prestação da casa.
Na 2ª semana de 2014:
- reveja a informação e procure formas de poupar em cada um dos itens (levar comida de casa, comprar uma garrafa térmica para poupar as idas ao café para lanchar, etc.).
Isso deverá mantê-la/o ocupada/o durante o mês de Janeiro. Depois cá estarei para Fevereiro.
POUPAR SÓ EM GASTOS SUPÉRFLUOS
Deseja começar ainda mais devagar?
Se quer começar por cortar nos gastos supérfluos, escolha Janeiro como o mês em intencionalmente não os vai fazer: não vai ao cinema, ao bar, fazer compras na Amazon ou ver filmes no videoclube.
[Se ainda assim lhe custar muito, habitue-se à ideia durante o mês de Janeiro e comece em Fevereiro que é um mês mais curto].
O meu 2014 promete ser de mudança. Espero que que vosso vos traga tudo que desejam, desejo-vos o que almejo para mim: amor daqueles que amo, saúde para todos e paz financeira (para ter o luxo de concentrar a minha vida nos dois primeiros).