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Diário das minhas finanças pessoais

Isto é mesmo um diário, mas também um bloco de notas e talvez um caderno de ideias (umas melhores que outras)

Diário das minhas finanças pessoais

Isto é mesmo um diário, mas também um bloco de notas e talvez um caderno de ideias (umas melhores que outras)

Planear o futuro que se deseja

Mas ele tinha um hábito enervante de acertar com os seus palpites. Lessa corrigiu-se de novo. Ele não fazia palpites. Estudava. Planeava. Pensava e depois usava o bom senso. (...) Lessa começou a sentir-se melhor quanto ao futuro. 

 

O Planeta dos Dragões 2, Anne McCaffrey

 

Eu tenho uma natureza fatalista, com isso quero significar que apesar de desejar estabilidade e estrutura, tendo a sentir-me num vórtice de caos e inevitabilidade, como se nada que eu fizesse alterasse o resultado final das coisas. Os planos são fúteis porque algo os vai deitar por terra. 

 

É assim na minha vida financeira e profissional (e naturalmente as duas estão interligadas). 

 

Teoricamente eu sei que a minha ideia de fatalismo não é real, mas há um trabalho interior diário para contrariá-la. Tenho consciência que é por isso que gosto de listas e cadernos de notas e blogs. São tentativas de dar ordem à desordem, de organizar a mente. 

 

Eu sei, fruto da minha experiência pessoal, que se planear determinadas tarefas ou objectivos isso elimina o caos e a minha ansiedade. 

 

Por isso, tenho de resistir à procrastinação, que é resultado da minha natureza fatalista e fazer aquilo que tenho de fazer, seja uma tarefa profissional ou uma que resulte em poupanças.

 

É assim, por exemplo, quando:

- planeio as refeições e os lanches a meio da manhã e da tarde, que levo para o trabalho;

- planeio as compras de presentes;

- compro vestuário usado, quando ele surge a bom preço, em vez de comprar apenas quando preciso;

- compro livros para as minhas sobrinhas, usados e à medida que vão aparecendo, mas com as metas curriculares em mente.

E poderia continuar... 

O papel da nostalgia na nossa felicidade

Confesso que já não me recordo em que podcast ouvi uma excelente síntese sobre o papel da nostalgia, em estudos sobre a felicidade. Mas certamente terá sido ou The Minimalists ou Afford Anything

 

No fundo, os estudos psicológicos sobre a matéria dão razão a algo que muitas/os de nós descobrem durante a vida: o que nos faz feliz, geralmente não é aquilo que achamos que nos iria fazer feliz.

 

É assim com muito do que compramos: achamos que nos iria trazer felicidade e um dia olhamos para o mono e pensamos como será a melhor forma de nos vermos livre dele.

 

É por isso também, que as experiências são mais satisfatórias a longo prazo porque, na nossa memória vão ficando cada vez melhores. Lembramos com uma saudade nostálgica o quando gostamos de um local, nos divertimos num dia irrepetível... 

 

Todavia, com o tempo (e em regra), os objectos depreciam em valor e passam a ser uma lembrança constante do que já não valem e um obstáculo ao novo objecto (em regra maior e melhor). 

 

 Algo a pensar, quando fazemos contas àquilo que desejamos comprar, para nós e para os outros. 

Como me motivo quando vejo o saldo minguar

Quem acompanha o blog há algum tempo, sabe que eu utilizo como motivação para poupar, duas estratégias combinadas:

 

Poupanças automáticas

 

No início do mês, retiro da conta à ordem, as verbas que quero poupar para despesas não mensais e supresas: €50/mês para carro (reparações + seguro + impostos, etc)

 

2º 

O que sobra também é poupança

Todo o valor de salário mensal que não gastar, chegado o final do mês, é encaminhado para o fundo de emergência.

 

Ora, como devem imaginar, quando o chega o final do mês, a minha conta à ordem está quase sempre a zeros, porque a folga é pouca e não tenho conseguido poupar. 

 

Isso é um pouco desmoralizador, se não complementar com lembretes do quanto tenho EFECTIVAMENTE poupado:

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Não tenho seguro de saúde, mas há dois tipos de consultas que faço no privado: dentista e ginecologista. Para essas consultas e exames extra, totalmente no privado, poupo sempre €50/mês.

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No início do mês, há uma transferência automática para reservar €50/mês para carro, que poderá servir para reparações, o seguro, imposto, inspecção...

Olhando para a verba, fico logo aliviada por ter já disponível o valor do seguro automóvel, apesar de este só ser pago em Novembro.

Se não houver surpresas, terei o suficiente para cobrir isso e novos pneus.   

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É a verba de que mais me orgulho. Há um ano usei o que tinha poupado nas obras da casa e desde então tenho poupado €100 por mês para a minha reforma, além do esforço que tenho feito para descontar para a SS + um segundo subsistema de previdência.

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O meu fundo de emergência é o que mais se tem ressentido com a minha incapacidade de poupar, nos últimos meses.

É uma das principais razões que me tenho de me recordar de tudo que poupo acima, mesmo que a poupança não seja "real" e uma mera antecipação de despesas anuais.

 

E depois há o dinheiro que aguarda em envelopes, para despesas que certamente virão:

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Viver num orçamento zero não é fácil, mas em qualquer dia da semana, eu prefiro ser das que se auto-impõe um orçamento zero, a realmente ter de viver com um. 

 

Por isso, nada como um lembrete do quanto realmente sou uma privilegiada, entre tantas dificuldades que vejo por aí.